textimagens - rosaura soligo

domingo, 25 de dezembro de 2011

em 2012

texto de  adriana franca                                                                                                                                                          leonardo soares

voar com gaiola e tudo!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

tim-tim

leonardo soares








saúde
e vida loga
à Dilma
e a todas
as mulheres
guerreiras
que nasceram
em sagitário.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

clara chora a saudade do seu amor


leonardo soares

Liberdade

Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.

Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.

Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.

E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome.
Poema de Carlos Marighella, escrito no Presídio Especial, em São Paulo.
[Marighella foi morto a tiros por agentes do DOPS
(comandados por pelo delegado Fleury, um dos maiores carrascos da ditadura militar)
na noite de 4 de novembro de 1969 em uma emboscada na cidade de São Paulo]

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

tentativas inúteis

mayumi morena
e assim, que nem
o maneco
dos barros,
vamos tropeçando
nas inúteis tentativas
de fotografar
o silêncio
das aldeias mortas,
da paisagem velha
desabando
sobre as casas,
do perfume

de jasmim
nos beirais,
das visões

da madrugada,
do olho fundo

dos mendigos,
das putas
no fim da noite,
dos bêbados desatinados,
dos carregadores

de migalhas
e do perdão
para zerar as culpas.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

quanto mais eu ando mais vejo estrada

http://www.youtube.com/watch?v=xC0QdX8i1IQ                                                                                                                        leonardo soares





no fim do mundo
há um tesouro
quem for primeiro

carrega o ouro
a vida passa

no meu cigarro
quem tem

mais pressa
que arranje
um carro
prá andar ligeiro,

sem ter porque
sem ter prá onde,

pois é, prá quê?

[Sidney Miller]


sábado, 5 de novembro de 2011

um dia em que se possa não saber

leonardo soares

dai-me um dia branco, um mar de beladona
um movimento
inteiro, unido, adormecido
como um só momento.

eu quero caminhar como quem dorme
entre países sem nome que flutuam.

imagens tão mudas
que ao olhá-las me pareça
que fechei os olhos.

um dia em que se possa não saber.
[Sophia de Mello Breyner Andresen]

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

delicadeza

leonardo soares








somos todos iguais
somos todos desiguais
neste tempo
chiaroscuro
(em) que vivemos

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

disilimina

leonardo soares

Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apresentou aos amigos. Este é meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição deslocada me fantasiava de ateu. Como quem dissesse no Carnaval: aquele menino está fantasiado de palhaço. Minha avó entendia de regências verbais. Ela falava de sério. Mas todo-mundo riu. Porque aquela preposição deslocada podia fazer de uma informação um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza nas palavras é uma solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir. De outra feita, no meio da pelada um menino gritou: Disilimina esse, Cabeludinho. Eu não disiliminei ninguém. Mas aquele verbo novo trouxe um perfume de poesia à nossa quadra. Aprendi nessas férias a brincar de palavras mais do que trabalhar com elas. Comecei a não gostar de palavra engavetada. Aquela que não pode mudar de lugar. Aprendi a gostar mais das palavras pelo que elas entoam do que pelo que elas informam. Por depois ouvi um vaqueiro a cantar com saudade: Ai morena, não me escreve/que eu não sei a ler. Aquele a preposto ao verbo ler, ao meu ouvir, ampliava a solidão do vaqueiro. [Manoel de Barros]

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

vida longa!

leonardo soares




apesar
dos apesares,
muito mais
por causa
dos por causas,
nós gostamos
de você,
companheiro.
nunca antes
na história
deste país
gostamos tanto
de quem lá esteve.
tim-tim!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

cidade tragada

olhos noturnos miram o nem ver, guiam os passos mal desenhados por caminhos escuros, entre becos e vielas brilha o vestido vermelho da prostituta, o rosto insone, boca pintada de cor igual, olhar embriagado do último boêmio da cidade mergulhada na penumbra da madrugada fria e gelada, garoa cinza alarga a solidão, selva de concreto imersa em caos.
olha de viés procura disco voador no céu escondido do inverno, saci fantasiado de gente, girando redemoinho de vento de chuva, infinito iluminado de luz do sol que insiste em clarear o rosto sujo do mendigo que ninguém vê, amanhecido no passeio de passos apressados, invisível assombração dobrando a encruzilhada, ventando a saia rodada da mulher do guarda.
o boteco irradia luz, Fagner na vitrola, reluz, sobressai, cativa o passante.
adentra o salão, achega ao balcão quase negro, monótono tristonho, recanto sem luz, procura na prateleira a garrafa de invisível, a dose de disco voador, o trago ensacizado, o brinde assombrado, cachaça balança saia, beijo na boca bêbada vermelha da puta gostosa do centro da cidade. [leonardo soares]                                                     

leonardo soares

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

por isso.

walter takemoto







porque
eu só preciso
de pés livres,
de mãos dadas
e de olhos
bem abertos
[guimarães rosa]

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

ao jeito que namorasse

leonardo soares

falava com as árvores e com as águas
ao jeito que namorasse.
todos os dias ele arrumava as tardes
para os lírios dormirem.
usava um velho regador para molhar todas as manhãs
os rios e as árvores da beira.
dizia que era abençoado pelas rãs e pelos pássaros.
a gente acreditava por alto.
assistira certa vez um caracol vegetar-se na pedra.
mas não levou susto.
... era muito encontrável isso naquele tempo.
até pedra criava rabo!
a natureza era inocente.
                                                         [Manoel de Barros]

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

pode ser...

leonardo soares
eu estou imaginando
que a estrada pensa
que eu também sou como ela:
uma coisa bem esquecida.
pode ser.
[Manoel de Barros]

terça-feira, 11 de outubro de 2011

nada, nada, nada havia

leonardo soares






passada a falta de ar
quando os vapores
choveram enfim
elas saíram ligeiras à rua
pras tarefinhas frugais.
e
das sempre mesmas
velhas coisas
dos sempre mesmos
velhos passos
nada, nada, 
nada havia
que fosse igual
nesse dia.

domingo, 2 de outubro de 2011

nunca antes na história deste país

leonardo soares

Assim,
nossa história correu mundo,
conheceu todos os lugares,
viu cidades imensas,
ouviu a queixa das pessoas,
o som das trombetas
e o barulho
dos cascos dos cavalos do rei.
Viu bandidos serem enforcados,
foi presa,
foi solta,
foi presa de novo,
fugiu.
[Leminski]

sábado, 24 de setembro de 2011

lá em paraitinga


leonardo soares

A noite escura sem lua e estrela ventava um vento frio no chão vermelho do caminho que dá lá na capela do pinhal. Seco voava rodando o redemoinho alumiado de contra pela luz do curral vazio e já ajeitado pra lida do leite da manhã do outro dia, que haveria de nascer gelado com mato cor de prateado. A lâmpada clareava para forasteiro ter idéia que naquele longe de vizinho habitava morador, e dentro da roda de vento e poeira rodeando pé de árvore, de cachimbo no beiço preto rachado de frio de agosto, rodopiava saci. [Leonardo Soares]

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

bem-aventurados

leonardo soares













bem-aventurados
os que acreditam
que é proibido proibir.
eles reinarão na alegria
de inventar a vida,
que é esse afinal o paraíso.

domingo, 11 de setembro de 2011

com quem será?


2010. setembro, 11.

quando um pescador
de cacos de tempo
e uma cosedeira
de palavras poucas
se encontram
a uma certa altura da vida,
pode nascer uma coisa
meio assim que nem esta.

que venham muitos setembros
fecundar nossos desvãos.

[1 ano. 20 mil acessos.]

sábado, 10 de setembro de 2011

olhares | de fé

[edição de aniversário]                                                                                                                                                          leonardo soares

olhares | de zelo

‎[edição de aniversário]                                                                                        rosaura soligo

olhares | de pressa

‎[edição de aniversário]                                                                                       rosaura soligo

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

olhares | de dor

[edição de aniversário]                                                                                                                                                              leonardo soares

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

olhares | de sono

[edição de aniversário]                                                                                                                                                            leonardo soares

olhares | de sonho

[edição de aniversário]                                                                                                                                                            leonardo soares

olhares | de fumaça


[edição de aniversário]                                                                                                                                                            leonardo soares